Roly Gregoire: O primeiro jogador negro do Sunderland descreve o impacto do racismo
Ainda uma cidade na época – só recebeu o status de cidade em 1992 – Sunderland era um mundo diferente daquele em que Gregoire cresceu. Nascido em 1958 na área de Toxteth, em Liverpool, filho de pais da Geração Windrush, da ilha caribenha de Dominica, ele foi criado em Bradford, outra cidade multicultural.
Em contrapartida, de acordo com os números do Censo, apenas 1% da população de Sunderland, que se aproximava dos 300.000 habitantes em 1981, era de origem afro-caribenha.
Um quinto dos 92 clubes da Liga ainda não tinha contratado um jogador negro em 1978, ano em que Viv Anderson, do Nottingham Forest, se tornou o primeiro a reivindicar a internacionalização pela Inglaterra.
“Eu conhecia apenas um outro negro em Sunderland, ele estava na politécnica”, lembra Gregoire. “Wayne Entwistle [a white striker, who signed the same day in a £30,000 deal from Bury] compartilhou experiências comigo por um tempo e era um cara legal, mas foi um período bastante solitário.”
Gregoire cita o capitão Bobby Kerr, vencedor da Copa da Inglaterra em 1973, e o experiente meio-campista Mick Docherty como dois colegas que o fizeram se sentir bem-vindo, em uma temporada de estreia em que fez oito partidas pelo time principal.
Mas ele sentiu que a atitude do vestiário em relação a ele mudou no verão de 1978, com alguns incidentes notáveis em uma viagem de pré-temporada ao Quênia.
“Depois de um jogo, todas estas crianças correram para o campo, aproximaram-se de um dos nossos jogadores e juntaram-se à sua volta”, diz ele. “Mas quando eles foram embora, ele veio até mim e limpou as mãos na minha camisa. Achei isso nojento.
“Era como se ele pensasse que aquelas crianças tinham doenças e quisesse me limpar! Por que eu? Porque sou negro, é por isso?”
Mais tarde, em uma recepção pós-jogo na casa de uma rica família branca local, o time fez fila para receber a anfitriã.
“Ela apertou a mão dos jogadores à minha direita, passou por mim e depois apertou a mão de todos os outros”, diz ele.
“Não perdi um segundo. Apenas saí de casa com calma e frieza e entrei no ônibus do time. Prefiro estar lá fora, com leões e hienas, do que dentro de casa, sendo insultado daquele jeito.
“Ninguém veio ver como eu estava, ou oferecer algum conforto. Só quando terminaram de comer e beber, de rir e de brincar, é que voltaram em fila para a carruagem.
“Achei isso uma vergonha. Aquela mulher insultou-me e, ao insultar-me, insultou o clube. Não houve lealdade, nem integridade – senti-me abandonado.”