Copa do Mundo 2026: Portugal é um time melhor sem Cristiano Ronaldo?
Era o tipo de amistoso que poderia facilmente ter escapado da memória.
Disputado no início da temporada contra o Cazaquistão, que havia ingressado recentemente na Uefa, o jogo aconteceu diante de uma multidão lotada de apenas 8.000 torcedores e em um campo tão degradado que a grama teve que ser pintada para melhorar sua aparência.
E, no entanto, a vitória por 1-0 em Chaves, no norte de Portugal, nunca desapareceu.
Isto porque 20 de Agosto de 2003 foi o dia em que começou a história de Cristiano Ronaldo na selecção sénior de Portugal.
Teria sido um exagero na altura antecipar que o rapaz da Madeira faria a sua estreia no Campeonato do Mundo três anos depois, e totalmente irrealista prever que ele iria participar num sexto Campeonato do Mundo, recorde, em 2026 – juntamente com o argentino Lionel Messi e o mexicano Guillermo Ochoa, ambos com seis jogadores.
Mas Ronaldo – o melhor marcador de sempre do futebol internacional com 143 golos – reinventou o futebol português, transformando a sua mentalidade como nenhum jogador antes dele e, o mais importante, redefinindo o que uma nação inteira acreditava ser possível.
“Somos um país pequeno que raramente tem impacto global fora do futebol”, disse João Aroso, que trabalhou com o avançado tanto no Sporting como na selecção nacional, à BBC Sport.
“Cristiano permite que o nosso pequeno país seja conhecido mundialmente por algo grande – por causa de todas as coisas positivas que ele representa”.
Nas cinco Copas do Mundo anteriores, o astro, hoje com 41 anos, sempre chegou com status de intocável. Não será diferente neste verão, mesmo que o escrutínio em casa em torno de sua função só tenha se intensificado desde o Catar 2022.
Durante muito tempo, questionar abertamente o lugar de Ronaldo na equipa quase pareceu traição. Não mais.
“Ele não joga para vencer, ele joga para ser a figura principal”, argumentou Antonio Simões, membro da seleção portuguesa que terminou em terceiro lugar na Copa do Mundo de 1966.
“Você entende que é o oposto de Eusébio? Vamos chamar as coisas pelo nome. Não tenho nada contra ele. Ainda posso ver, ainda posso ouvir e ainda posso pensar. Mas não posso fugir da realidade dos fatos.”
O seleccionador de Portugal, Roberto Martinez, rejeitou o debate em torno de Ronaldo como uma “conversa de elevador”.
Sempre que Martinez é questionado sobre o cinco vezes vencedor da Bola de Ouro, ele apontou para a mesma estatística em todas as suas entrevistas recentes – 25 gols em seus últimos 31 jogos pela Seleção.
“Estamos falando do maior jogador de todos os tempos. Ele está aqui porque ainda tem um desempenho de alto nível, não por causa do que conquistou no passado”, explicou Martinez.
Depois de marcar em cada uma de suas cinco Copas do Mundo, Ronaldo terá mais uma chance de responder às críticas em campo.
O jogador do Al-Nassr tem oito golos no Mundial, um a menos do recorde português de Eusébio, mas o prémio final é óbvio: ajudar Portugal a erguer o troféu pela primeira vez.