Copa do Mundo 2026: Vinicius Junior pode encontrar no Brasil a mesma adulação que Neymar?
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Copa do Mundo 2026: Vinicius Junior pode encontrar no Brasil a mesma adulação que Neymar?

A entrevista coletiva de Carlo Ancelotti estava chegando ao fim quando ele se dirigiu ao elefante na sala com seu jeito tipicamente sutil e elegante.

“As pessoas às vezes dizem que o Brasil não tem uma estrela no momento. Talvez seja verdade”, disse o técnico do Brasil antes do amistoso contra o Panamá, no final de maio.

“Não temos Pelé, Romário ou Ronaldo, mas podemos ter um senso de responsabilidade compartilhado, e isso pode ser algo muito poderoso”.

A expectativa era que Vinicius Junior, do Real Madrid, já se tornasse a figura principal da Seleção.

No entanto, quatro anos depois da eliminação nos pênaltis contra a Croácia nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, as dúvidas permanecem em torno do atacante de 25 anos.

Tal é a situação que, seguindo o exemplo do Brasil Derrota por 2 a 1 para a França em março, o debate em seu país girou em torno de se Vinicius ainda merecia uma vaga no time titular.

“Deveríamos deixar Vinicius?” perguntou um dos painéis de futebol mais tradicionais do Brasil, o Linha de Passe da ESPN.

Mesmo com a chegada do ex-campeão do Real Madrid, Ancelotti, sem dúvida o treinador mais impactante que Vinicius já teve em sua carreira no clube, a questão que definiu a história de sua seleção até agora continua a segui-lo.

A essência é simplesmente esta: “Por que Vinicius não consegue reproduzir a sua forma madridista com a Seleção?”

Vinicius é o jogador brasileiro com mais gols neste ciclo de Copa do Mundo, mas seus números ainda são modestos – sete gols e seis assistências em 28 partidas.

“Jogar no mesmo nível que joga pelo seu clube é complicado”, disse Cleber Xavier, que trabalhou como assistente técnico do Brasil nas Copas do Mundo de 2018 e 2022, à BBC Sport.

“Quando você chega à seleção nacional, a realidade é muito mais difícil do que parece de fora. No seu clube são treinos diferentes, uma forma diferente de jogar, companheiros de equipe diferentes, o dia a dia onde as coisas acontecem e se desenvolvem.

“O exemplo mais claro é [Lionel] Messi com a Argentina. Ele sempre foi questionado sobre isso e só conseguiu em 2022. Mas isso porque a Argentina conseguiu montar um time. No Qatar, defrontámos a Croácia e eles eram quase como uma equipa de clube porque repetiam muitos jogadores. É assim que você dá ao jogador uma estrutura adequada.”

Vinicius nunca se esquivou da conversa.

“Nos nossos clubes, a cada três dias surge uma nova oportunidade”, disse ele à Caze TV numa entrevista recente.

“Então, se eu jogar mal em dois jogos em cada 10, ninguém vai falar muito sobre isso. Com a seleção nacional, passa muito tempo entre uma partida e outra. A pressão é sempre enorme e as pessoas sempre esperam que eu dê o meu melhor.

“Se eu for para a Copa do Mundo, marcar quatro ou cinco gols e formos campeões, a história toda muda. Aí as pessoas vão dizer que eu estava me preparando para a Copa o tempo todo, mesmo nos jogos em que não joguei bem.”

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